O debate entre as teorias Positivistas e Pós-Positivistas de Relações Internacionais
![depositphotos_13334149-Earth-analysis.jpg](https://static.wixstatic.com/media/65c9e5_c63c325a75f7427ca1816f9db0f6fc6c.jpg/v1/fill/w_980,h_735,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_auto/65c9e5_c63c325a75f7427ca1816f9db0f6fc6c.jpg)
O Terceiro Debate das Relações Internacionais, que contrapõe positivistas e pós-positivista (também conhecidos como racionalistas e reflexivistas, respectivamente), se dá a partir do momento em que as teorias positivistas neorrealismo, e neoliberalismo passam a ser, de certa forma, insuficientes para explicar os fatos ocorridos no Sistema Internacional.
Fundamentados pelo uso da razão para tecer explicações sobre as relações sociais internacionais o positivismo postula “verdades” irrefutáveis e tenta explicar a realidade. Para os adeptos desta teoria, a realidade deve ser enxergada como uma equação matemática, de forma que os resultados são considerados inquestionáveis. A visão realista do Sistema Internacional é baseada principalmente em questões de segurança e no poder militar.
Entre os autores que tratam do positivismo, podem ser citados como os principais, Kenneth Waltz e Robert Gilpin, que defendem a ideia de que o Sistema Internacional é estruturalmente anárquico, mostrando como a realidade é entendida de maneira inerte.
Foi a partir da virada linguística e epistemológica que se buscou um o questionamento de “verdades”, a partir da análise do discurso. Neste sentido, passou-se a entender , que não há ciência pura, mas que todas são influenciáveis pelas demais.
Em contraposição ao pensamento positivista, o pensamento pós-positivista afirma que a realidade está sendo construída paulatinamente no decorrer do tempo, tendo em vista o momento social construído pelos agentes sociais. Isto pode ser evidenciado com a famosa expressão construtivista: “ a realidade é socialmente construída”.
![090212_fouce_martelo_urss_queda.jpg](https://static.wixstatic.com/media/65c9e5_eee234c214bf457594882ea0ec30e398.jpg/v1/fill/w_640,h_507,al_c,q_80,enc_auto/65c9e5_eee234c214bf457594882ea0ec30e398.jpg)
O contexto histórico em que se insere a mudança do pensamento nas Relações Internacionais se dá a partir de acontecimentos que não puderam ser considerados pelas teorias positivistas, como a Queda do Muro de Berlim, em 1989, e a dissolução da URSS, em 1991. A não previsão daqueles fatos se deu em virtude das teorias dominantes à época, que levavam em conta apenas fatores tangíveis, como força e poder, e desconsideravam os fatores intangíveis, que é um dos diferenciais trazidos pelos pós-positivistas.
Surge, assim, uma espécie de “meio-termo” entre as teorias positivistas e pós-positivistas, conhecida como Teoria Construtivista. Esta teoria pressupõe que a realidade é socialmente construída e que o Sistema Internacional está em constante mudança. Por isso, leva em consideração fatores intangíveis nas relações sociais, como a cultura, a personalidade dos líderes, os símbolos, dentre outros.
Os principais teóricos construtivistas são Emanuel Adler, que explica o construtivismo como o meio termo das Relações Internacionais, e o fato da teoria não fazer juízo de valores. Há também outros teóricos, como Nicholas Onuf e Alexander Wendt, que concordam, por exemplo, que “a anarquia é aquilo que os Estados fazem dela”, em contraposição ao pensamento de que a anarquia internacional é um fator imutável.
A Teoria Crítica e a Teoria Pós-Moderna também são frutos da Virada Linguística e Epistemológica. A primeira sofreu influências da Escola de Frankfurt, que se baseava no conceito de que a realidade é socialmente construída de acordo com os interesses das hegemonias dominantes. Os principais teóricos críticos em RI são Robert Cox e Andrew Linklater. Além destes, Jurgen Habermas, da Escola de Frankfurt também faz análises que abordam as relações internacionais.
Enquanto isto, a Teoria Pós-moderna, se apoia na ideia de que as relações sociais não são naturais, ou seja, a realidade é produzida de acordo com a produção de verdades, onde algumas são aceitas e reproduzidas, e tantas outras silenciadas. O pós-modernismo tem como principal teórico Michel Foucault, e os teóricos que explicam as dinâmicas internacionais são Richard Ashley, Michael Shapiro, James Der Derian, Julia Krysteva, entre outros.
Deste modo, é importante salientar que apesar de muitas serem as posições sobre este Debate – algumas apontando para sua superação, outras negligenciando sua validade – fica claro que todas as teorias são importantes para o campo de estudo das Relações Internacionais. Apesar de existirem teorias mainstream, todas são válidas para entender as dinâmicas sociais das relações internacionais.
REFERÊNCIAS
PERSPECTIVAS POSITIVISTAS E PÓS POSITIVISTAS NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS: AS DIVERGÊNCIAS EPISTEMOLÓGICAS LEVARIAM A DISTINÇÕES EM SEU MODO DE FAZER CIÊNCIA? Disponivel em: http://www.red.unb.br/index.php/polemos/article/viewFile/10486/7637. Acesso em: 24 de Março de 2015.