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Analfabetismo no Mundo Face a Atuação da UNESCO

9 de set. de 2015
4 min de leitura

nacoesunidas.org

A alfabetização é passaporte para garantir de vários direitos, principalmente se pensarmos na população mundial, cujo número é de aproximadamente de 7,3 bilhões de habitantes. Com isto, as Nações Unidas estabeleceram a queda de 50% no número de analfabetos até 2015 como uma dos Objetivos do Milênio.


A UNESCO, entidade fundada em 1946, tem como objetivo principal propiciar a alfabetização e difundir os direitos básicos dos seres humanos a partir de sua alfabetização. Para tanto, a instituição tem se empenhado na formação de professores e de mão de obra especializada para trabalhos em todos os continentes, incluindo refugiados.


Falar uma língua vai além de unir o signo ao significado. É saber representar e, mais importante, como representá-los. Para tanto, não é necessário entrar no mérito particular de cada língua, como classificá-las por tipo de alfabeto, ramo ou família. O intuito principal é abordar como a alfabetização está no mundo.


Não há uma definição aceita por todos sobre o que seja a alfabetização. Contudo, o sentido mais atribuído ao termo diz respeito à capacidade de escrever e ler em uma certa idade. Também quanto à idade não se tem um número preciso,pois em alguns países, a idade é deseisanos, enquanto em outros, sete ou oito.


A preocupação com a alfabetização das crianças, é essencial, como mostram os dados do 11° Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, lançado pela UNESCO em 2014, que coloca o Brasil como o 8° país com 13,9 milhões de analfabetos, cerca de 6,95% da população.Segundo o mesmo relatório, a Índia possui atualmente 287,3 milhões de analfabetos, ou 22,5% da população. Em seguida, a segunda maior economia do mundo, a China, com 52,3 milhões de habitantes, 3,85% de sua população.


Entretanto, em primeiro lugar está o Paquistão, que possui 26,7% de sua população analfabeta, o que corresponde a 49,5 milhões de pessoas. Com esta pequena amostra, percebemos a diferença entre os dois países mais populosos do mundo. As estimativas da China é que este número seja ainda maior, pois os dados são fornecidos pelo governo chinês e não há muita clareza nos critérios adotados por tal.

Outro fato relevante é que a China utiliza o mandarim como idioma oficial, porém o mesmo não é falado em todas as regiões da China, tendo o governo afirmado que 30% de sua população não utilizava o idioma oficial. O mesmo ocorre na Índia, cujo número de analfabetos chega a ser assustador, pois indica que ao menos 1 entre 5 indianos não é alfabetizado, haja vista que a população indiana ultrapassa a marca de 1,2 bilhões.


Neste sentido, quais seriam as causas do analfabetismo? Em primeiro lugar, a pobre escolarização dos países, uma vez que é – ou deveria ser – no seio familiar em que a criança se desenvolve, porém, por inúmeros motivos, milhões de pessoas não têm um lar e nem estrutura familiar necessária para o desenvolvimento intelectual. Esta situação também desemboca em outro fator, que seja a falta de livros e de estímulo à leitura para o indivíduo.


Com efeito, o fato de ter livros sem saber ler de nada vale, porém é o estímulo, a curiosidade e, mais importante, os meios que farão o indivíduo alcançar a alfabetização. As condições de vida deterioradas e em péssimo estado fazem um papel importante, assim como a falha no sistema escolar de inúmeros países.


De acordo com dados da UNESCO, entre 2000 e 2011 o número de analfabetos no mundo caiu apenas 1%, e 2 entre 3 iletrados são mulheres, aproximadamente 66% do número total. Em consequência disso, desemprego caminha de “mãos dadas” com o analfabetismo, ainda mais em tempos de cortes de gastos e demissões em massa, haja vista a grande maioria dos analfabetos trabalharem em ofícios predominantemente braçais, repetitivos e de baixa remuneração.


E como é a situação dos países em que o processo de a alfabetização funciona? Por analogia, é difícil controlar o pensamento de EUA e Cuba, ou nos países nórdicos. Os EUA, em 2014, afirmavam ter uma estimativa de 0,5% da população analfabeta, sendo sua taxa de alfabetizados 99%. Porém, em 2015, 14% dos adultos não sabem ler.


Há que salientar também as diferenças nos sistemas escolares e o que cada uma das partes reconhece como alfabetização. Em Cuba, por exemplo, os cubanos não são aceitos em livrarias, eles lêem apenas o que o governo lhes fornece, a exemplo da mídia cubana, e o sistema de alfabetização é totalmente voltado para interesses ideológicos e partidários, que impede de ver a real situação da alfabetização na ilha do Caribe.


Por fim, isto tudo se soma ao fato de que as informações do país são escassas e, assim como na China, oferecidas pelo governo oficial do país. Os dados de 2011 do governo cubano afirmam que o nível de alfabetização chegou a 99.8%. Já a Coréia do Norte, considerado o país mais fechado do mundo, vai além e afirma ter chegado a 100% de sua população alfabetizada.


Por fim, os países nórdicos têm sempre mostrado níveis excelentes em educação, no geral. Suécia e Dinamarca têm 99%, enquanto Noruega e Finlândia chegaram aos 100%. No rol dos países com 100% da população alfabetizada estão também – além da Coreia do Norte e dos já supracitados – Groenlândia, Liechtenstein e Luxemburgo. Nenhum destes países possui uma população numerosa, a qual sofre com o envelhecimento populacional. O sistema escolar e o bom funcionamento da economia também desempenham papéis importantes no sucesso da alfabetização nestes Estados.


Neste sentido, torna-se claro que a análise do processo de alfabetização deve levar em consideração diversos fatores econômico-sociais, bem como a forma como os sistemas escolares estão estruturados e adaptados á realidade da sociedade objeto de análise.



Referências

https://www.fondationalphabetisation.org/fondation/analphabetisme-les-causes/ - acesso em: 01/09/15.

Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2015; disponível em: http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Brasilia/pdf/Overview_EFA_GMR_pt_2015.pdf - acesso em: 01/09/15.

http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/education/education-for-all/ - acesso em: 01/09/15.

http://www.huffingtonpost.com/2013/09/06/illiteracy-rate_n_3880355.html - acesso em: 02/09/15.

https://www.ethnologue.com/statistics - acesso em: 02/09/15.

 
 
 

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