O resultado do plebiscito na Colômbia sob a perspectiva Construtivista

Após 52 anos de conflito, o Governo da Colômbia conseguiu finalizar as negociações de paz com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que duraram quase quatro anos entre o presidente colombiano Juan Manuel Santos e o líder das FARC Rodrigo Lodoño, em Havana no mês de agosto.
Em 26 de setembro foi assinado o acordo de paz em uma solenidade em Cartagena das Índias e contou com a presença da comunidade internacional incluindo o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon e o apoio do Estados Unidos, Cuba e União Europeia.
Santos convocou um plebiscito no dia 2 de outubro para conformidade com a população, contudo o resultado foi de maioria “não”, com a liderança do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, e ainda, abstenção de 63% da população.
De acordo com Santos, – que recebeu o Nobel da Paz pelas negociações – o voto pelo “não” não representa a rejeição da paz mas, aos termos do acordo. Em meio século, o conflito colombiano causou a morte de mais de 220.000 pessoas, deixou mais de 6 milhões de refugiados, levou o desaparecimento de 45.000 indivíduos, além do envolvimento das FARC com o narcotráfico, que os caracterizou como terroristas. O resultado do plebiscito deixou incertezas quanto ao futuro do acordo de paz.
Entre os motivos que levaram ao resultado negativo do plebiscito estão os termos negociados, que além da anistia dos culpados de crimes de guerra e contra a humanidade, a garantia de formação de um partido politico das FARC com cinco cadeiras no Senado e cinco cadeiras na Câmara, o que é inaceitável para uma população que mantêm a lembrança dos assassinatos, sequestros e narcotráfico com os quais a guerrilha promoveu.
As FARC, grupo marxista, surgiu em 1964 com objetivo de implantar o socialismo na Colômbia através de estratégias de guerrilha, e desta forma passou a construir uma nova realidade social.
Analisando o conflito colombiano pela perspectiva Construtivista das Relações Internacionais, que considera a relação entre estrutura e agentes como fatos que formam a realidade socialmente emergente propondo a reflexão entre comportamento e resultado, neste contexto, é possível conceber que a inserção de um novo agente – as FARC – altera a estrutura da dinâmica do Estado, pois a realidade é socialmente construída.
De acordo com Adler (1999) as relações entre os interesses dos Agentes e a Estrutura – os indivíduos da sociedade – podem alterar e definir as possibilidades de relações de cooperação e acordos. O resultado negativo do plebiscito é resultado da interação dos indivíduos, com o histórico de violência provocado por este agente (FARC) definiu as respostas individuais de não aceitar acordos em que o grupo terrorista tenha acesso a um espaço político com perdão concedido pelos crimes cometidos.
O desejo de paz faz parte do interesse da população e do governo colombiano. O “não”, não está contra a paz, mas é a representação do julgamento social contra as FARC. A paz ainda é possível, e a as negociações estão sendo replanejadas com pressões para impor condições mais severas ao grupo guerrilheiro.
REFERENCIAS
ADLER, Emanuel. O Construtivismo no estudo das Relações Internacionais. Lua Nova. 1999, n° 47. p. 207-246.
FOREIGN AFFAIRS. Colombia’s failed peace. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/articles/colombia/2016-10-05/colombias-failed-peace. Acesso em out. de 2016.
ELPAIS. Colômbia enterra meio século de guerra. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/26/internacional/1474912709_711206.html. Acesso em out. de 2016.
BBC. Porque a Colômbia disse “não” ao acordo de paz com as Farc. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-37526293. Acesso em out. de 2016.



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