Paz e Segurança para os Colombianos: a busca pela efetivação do Acordo de Paz

O governo colombiano, por meio de seu Congresso Nacional, aprovou na quarta-feira (02), o segundo acordo de paz envolvendo o Governo do país e as Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), guerrilha que foi uma das partes da guerra civil colombiana por aproximadamente 52 anos.
A tentativa de um novo acordo de paz se insere em uma cronologia marcada por dissidências não apenas entre as duas partes do acordo, mas também com a população civil colombiana. Cuja insatisfação com os desdobramentos que essa decisão acarretaria para a sociedade, (personalidades como o ex-presidente do país Álvaro Uribe, classificaram as consequências do acordo como de “impunidade total”), resultou em uma reprovação ao encerramento do conflito, no plebiscito realizado no dia 02 de outubro.
A tentativa do estabelecimento de paz no país é vista, internacionalmente, como uma medida em vistas ao crescimento do nível de segurança nacional. No campo das Relações Internacionais (RI), a Escola de Copenhague se insere como um relevante instrumento de análise de temas do campo de segurança, a exemplo dos acordos de paz.
Em linhas gerais, a Escola de Copenhague possui como objetivo central desenvolver análises relativas à segurança internacional, focalizando em um modo “abrangente” dos fatores que podem influenciar o desequilíbrio do quadro de segurança. Tanno (2003), em sua obra de síntese da contribuição da Escola, delimita a abordagem abrangente: a abordagem abrangente propõe que, nas análises de segurança, devam ser considerados além dos aspectos militares, os aspectos econômicos, sociais, políticos e ambientais (p.53).
O início do aparecimento de obras ligadas à Escola ainda possui como característica principal o atrelamento ao modo de análise realista das RI, considerando a onipresença do Estado como unidade de análise. Uma profunda transição marcou o desenvolvimento da Escola de Copenhagen e os estudos sobre Segurança Internacional em geral.
As crises focais que marcavam as relações internacionais na transição dos séculos XX e XXI ratificaram a importância de inserir “fatores societários” em suas análises, retirando, desta forma, a onipresença dos Estados como unidades de análise.
Barry Buzan, considerado o principal autor da Escola, classifica os Estados em fortes e fracos, utilizando como critérios de classificação a coesão político-social dos mesmos. Assim, uma nação que possua sólidas instituições, uma clara identidade nacional por parte da sociedade, além de um considerável nível de riquezas (naturais e produzidas), teria a possibilidade de ser reconhecida no sistema internacional.
A busca pela efetivação do acordo de paz na Colômbia é um exemplo de como o fator societal não pode ser desconsiderado das análises políticas, seja no âmbito nacional, quanto no internacional. A tentativa de conciliação entre o Estado colombiano e uma guerrilha, elogiada internacionalmente, enfrenta uma forte resistência internamente, considerando os partidos opositores de Juan Manuel Santos e a própria sociedade, que, em sua maioria, se mostrou contrária à conciliação operada pelo governo.
Os próximos acontecimentos serão fundamentais para o desdobramento da complexa paz na Colômbia. Fatores como a insatisfação popular e o escasso diálogo entre as polaridades da política nacional podem caracterizar um atraso no projeto liderado pelo atual presidente, que, todavia, possui o apoio internacional para prosseguir com o acordo (Juan Manuel Santos foi agraciado com o prêmio Nobel da Paz de 2016 pelos seus esforços). É necessário, no momento, observar e analisar como Santos continuará com o processo, que mesmo não concluído é considerado como histórico para o país e para a América do Sul.
REFERÊNCIAS
EL PAÍS. Congresso na Colômbia referenda acordo de paz com as FARC. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/12/01/internacional/1480559982_804071.html. Acesso em: 09/12/16.
EL PAÍS. Nova assinatura de paz na Colômbia expõe divisão política e apatia da população. Disponível em: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/23/internacional/1479929374_442637.html. Acesso em: 10/12/16.
TANNO, G. A Contribuição da Escola de Copenhague aos Estudos de Segurança Internacional. Rio de Janeiro: Contexto Internacional. vol.25, n o 1, janeiro/junho 2003, pp.47-80.



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