As Eleições na Holanda pelas Premissas Construtivistas
![](https://static.wixstatic.com/media/65c9e5_feffcd1ac9744128bb0c2d895f4199be~mv2.jpg/v1/fill/w_980,h_553,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_auto/65c9e5_feffcd1ac9744128bb0c2d895f4199be~mv2.jpg)
O processo eleitoral na Holanda atraiu a atenção global nas últimas semanas, provocando preocupação sobre possíveis alterações nos cenários político e econômico do continente europeu. Isto porque esta votação, realizada no dia 15 de março, foi a primeira de uma série de eleições que ocorrerão no decorrer deste ano em países europeus, podendo determinar o grau do avanço da extrema-direita na Europa.
O Partido pela Liberdade (PVV), partido político de forte retórica anti-Islã e anti-União Europeia, esteve à frente das pesquisas de intenção de votos na Holanda por meses. Este partido tem como líder o deputado de extrema-direita Geert Wilders, cujas afirmações e posicionamentos polêmicos lhe renderam fama internacional.
O construtivismo, de acordo com a análise de Nogueira e Messari (2008) sobre os escritos de Kratochwil (1989), rejeita a ideia de verdades fixas e considera que as estruturas do sistema internacional sejam construídas de acordo com a ação dos agentes e, simultaneamente, influencie tais agentes.
Desta forma, o fortalecimento das ideias de cunho nacionalista e protecionistas defendidas pelo PVV a partir do resultado do referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (BREXIT) e a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, atraiu a preocupação global para um possível cenário onde a chegada do líder deste partido ao poder fosse capaz de provocar um crescimento da onda populista e ultranacionalista na região – influenciando, assim, a estrutura política e econômica da Europa como um todo.
Da mesma forma, esta mudança na estrutura do bloco europeu seria capaz de afetar a configuração interna dos diversos países que o compõem, em uma espécie de “efeito dominó”.
Além disso, uma ampla vitória do Partido pela Liberdade significaria também um novo golpe contra o projeto de integração europeu, tendo em vista que Geert Wilders, bem como outras lideranças partidárias populistas na Europa, demonstraram interesse de convocar um referendo para consultar a população da Holanda sobre a saída do país da União Europeia. Um fortalecimento do PVV significaria, também, um fortalecimento da retórica anti-União Europeia, que já vem ganhando força em diversos países nos últimos anos.
No entanto, com o recuo do PVV nas pesquisas de intenção de voto nas últimas semanas (que apontavam a liderança do Partido para a Liberdade e a Democracia, do atual primeiro-ministro Mark Rutte) e a promessa de não cooperação por parte de diversos partidos políticos holandeses, a inclusão de Wilders no governo da Holanda tornou-se improvável, mesmo que o partido conseguisse ter a formação com o maior número de acentos no parlamento. Isso porque, sendo o cenário político da Holanda bastante fragmentado, o governo deste país normalmente é estabelecido por meio de coalizões entre os partidos.
Se, de acordo com as premissas construtivistas, a realidade está em constante construção, a reviravolta nas pesquisas de intenção de voto nos últimos momentos do processo eleitoral holandês que culminou na vitória preliminar do Partido para a Liberdade e a Democracia (VVD) fortalece um possível cenário onde o avanço da extrema-direita na Europa pode ser contido.
No entanto, os processos eleitorais que ocorrerão em outros países europeus ao longo deste ano, como a França e a Alemanha, terão influência semelhante ou até maior na forma como o Sistema Internacional se estruturará a partir de então.
REFERÊNCIAS:
G1. Eleição na Holanda serve de termômetro para ascensão da extrema-direita na Europa. 15 de mar. de 2017. Disponível em: http://g1.globo.com/mundo/noticia/eleicao-na-holanda-serve-de-termometro-para-ascensao-da-extrema-direita-na-europa.ghtml. Acesso em: março de 2017.
NOGUEIRA, João Pontes; MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais: Correntes e Debates. 2 ed. São Paulo: editora Campus, 2008.
O GLOBO. O que está em jogo nas eleições na Holanda. Rio de Janeiro, 15 de mar. 2017. Disponível em: http://oglobo.globo.com/mundo/o-que-esta-em-jogo-nas-eleicoes-na-holanda-21058960. Acesso em: março de 2017.
RUHE, Corina; VAN DER SCHOOT, Anne. Dutch Vote in Test of Populism's Potency at Heart of Europe. Bloomberg, Nova York, 14 de mar. 2017. Disponível em: https://www.bloomberg.com/politics/articles/2017-03-14/dutch-vote-in-test-of-populism-s-potency-at-the-heart-of-europe. Acesso em: março de 2017.
VAN DER SCHOOT, Anne. One Dutch Election the World Will Be Watching: QuickTake Q&A. Bloomberg, Nova York, 12 de mar. 2017. Disponível em: https://www.bloomberg.com/politics/articles/2017-03-13/one-dutch-election-the-world-will-be-watching-quicktake-q-a. Acesso em: março de 2017.