O corpo social nas deliberações para o desenvolvimento sustentável: Connected Smart Cities

As considerações acerca do desenvolvimento sustentável e sua relevância na busca por soluções aos desafios do desenvolvimento das cidades é objeto premente na agenda global. Tendo em vista a deficiência de políticas públicas que acompanhem o crescimento das cidades em promover infraestrutura capaz de abrandar problemas sociais e ambientais, uma gama de estudos e discursos propondo transformar os padrões de desenvolvimento econômicos surgem, pautados na premissa do desenvolvimento sustentável. A partir disso, iniciativas como o Connected Smart Cities emergem, dispostos a aperfeiçoar a discussão sobre sustentabilidade urbana.
Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2050, aproximadamente 70% da população mundial estará vivendo nos centros urbanos. Para tanto, o Connected Smart Cities promoverá, nos dias 21 e 22 de junho de 2017, um evento destinado à promoção da discussão e difusão de informação e ideias entre o setor público e privado, a fim de pensar o planejamento urbano brasileiro a atingir os “índices de modelos das cidades inteligentes do mundo”.
Teorias alternativas às aspirações das correntes liberal e realista nas Relações Internacionais são importantes para engendrar o debate sobre a transformação da realidade social. A mesma está pautada na diminuição das desigualdades e na emancipação humana e, neste caso, busca verificar a potencialidade incluída no discurso de sustentabilidade urbana, a qual está baseada em modelos estabelecidos.
Por outro lado, as reflexões feitas pela teoria crítica, desenvolvidas substancialmente por Jürgen Habermas, são fundamentais neste contexto, pois propõem uma corrente que se dedica em analisar criticamente os processos internacionais, pensando não apenas as relações entre Estados, mas incorporando as interelações entre indivíduos e grupos. As contribuições de Habermas fomentam a capacidade de crítica coletiva sobre as normas e instituições internacionais. Desta forma, o paradigma do diálogo é fundamental na legitimação das deliberações no campo democrático.
Neste sentido, cabe às iniciativas que se debruçam a indicar transformações de planejamento e desenvolvimento em determinadas localidades, reforçar um diálogo consistente entre os âmbitos local, nacional, regional e internacional, a fim de superar conflitos e desigualdades constantemente presentes nas relações internacionais. Ademais, é imprescindível a participação da sociedade, movimentos sociais e ONGs nas deliberações sobre a eficiência de políticas públicas de urbanização e desenvolvimento, comprometidas com os Direitos Humanos e as responsabilidades com o ecossistema e o meio ambiente.
Referências
ALVES, B. A Perspectiva Crítica Habermasiana Das Relações Internacionais: As Diretrizes De Uma Constelação Pós-Nacional. Anais do IV Simpósio de Pós-Graduação em Relações Internacionais do Programa “San Tiago Dantas” (UNESP, UNICAMP e PUC/SP). Disponível em:
http://www.santiagodantassp.locaweb.com.br/novo/images/simposio/artigos2013/beatriz_alves.pdf
HABERMAS, J. Consciência Moral e Agir Comunicativo. Tradução de Guido A. de Oliveira. Disponível em:
https://marcosfabionuva.files.wordpress.com/2011/08/consciencia-moral-e-agir-comunicativo.pdf
CONNECTED SMART CITIES. Disponível em: http://www.connectedsmartcities.com.br/CSC_apresentacao.pdf



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