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Fórum Econômico Mundial: “Criando um futuro compartilhado em um mundo fraturado”

2 de fev. de 2018
3 min de leitura


Inicialmente, o Fórum Europeu de Gestão era organização idealizada pelo economista Klaus Schwab com objetivo de desenvolver abordagens de gerenciamento para empresas europeias considerando acionistas, clientes e também comunidade e governo ainda em 1917. A reunião se expandiu e passou a contar com a adesão de líderes políticos e empresas do mundo, sendo a primeira organização a desenvolver parceria econômica com a China em 1974.

O Fórum Europeu de Gestão tornou-se Fórum Econômico Mundial em 1987, promovendo uma arena de diálogo em importantes momentos históricos, como na Reunião de 1989, onde os representantes da Alemanha Oriental e Ocidental reuniram-se para discutir a reunificação. O Fórum cresceu exponencialmente tornando-se uma Organização Internacional que reúne líderes políticos, empresários, organizações e sociedade civil para discutir os desafios mundiais.

Com o tema “Criando um futuro compartilhado em um mundo fraturado” o evento de 2018 iniciou com o posicionamento de líderes mundiais e abordou temáticas significativas como mudanças climáticas, energia, terrorismo, abusos de poder, desenvolvimento inclusivo e gênero incluindo, pela primeira vez, um painel dirigido apenas por mulheres.

O Institucionalismo Neoliberal, do teórico de Relações Internacionais, Robert Keohane (1984), que assim como o Fórum, foi desenvolvido em meio às mudanças no contexto internacional do período, acompanhando os novos temas da agenda global e a relevância dos novos atores nas decisões mundiais. De modo que, esta nova agenda não hierarquiza seus temas, reconhecendo os temas sociais, ambientais, de segurança e econômicos como igualmente relevantes e, até mesmo interligados.

Este cenário demanda novos recursos políticos – onde o uso da força militar não é o mais eficaz em decorrência do vínculo interdependente entre os Estados - para gerar resultados, então a criação de instituições internacionais é justificada como uma estratégia para administrar o conflito de interesses entre os Estados, criando um ambiente que proporciona a comunicação com normas de procedimento que pode reduzir a desconfiança e auxiliar nos processos de cooperação.

A economia foi o tema central do encontro, onde a tendência protecionista de isolamento econômico que os países estiveram tomando nos últimos anos, principalmente pela atuação de Donald Trump, foi criticada pelos presentes. Um cenário o qual não cabe ao nível atual de globalização e interdependência, estando evidente na mudança de posicionamento de Trump, que no início da presidência retirou os Estados Unidos de tratados multilaterais como o Transpacífico (TTP) e o Acordo de Paris, e, no evento discursou a favor da abertura econômica afirmando que os Estados Unidos estão “abertos para negócios”.

As pautas ambientais, sociais e de igualdade de gênero estão diretamente relacionadas aos níveis de desenvolvimento econômico, o qual não obteve crescimento nos últimos anos. O Fórum recomendou o Índice de Crescimento Inclusivo (IDI) como método a somar ao Índice de Desenvolvimento Humano (PIB).

O IDI compreende abordagens que se enquadram ao conceito socialdemocrata de Welfare Stare propostas pelo sociólogo Gosta Andersen (1991) que consideram o universalismo de direitos e padrão de qualidade de vida para promover o bem-estar social e não apenas a igualdade de necessidades básicas.

De certo não há garantia de finalizar acordos e de encontrar soluções globais, contundo o Fórum é uma arena de diálogo que permite a discussão de posicionamentos e ideias que podem ter influencias futuras, pois a comunicação entre políticos, organizações e comunidade civil permite atingir perspectivas múltiplas que reconhecem as disparidades entre o global e o local sendo, portanto, um evento de relevância na política internacional.

Referências

JATOBÁ, Daniel. Teoria das Relações Internacionais. Daniel Jatobá; Antônio Carlos Lesa, Henrique Altemani de Oliveira (Coord.). São Paulo: Saraiva, 2013.

ANDERSEN. Gosta Esping. As três economias políticas do welfare state. Lua Nova N° 24 – setembro. 1991. P, 85-116.

World Economic Forum. History. Disponível em: <https://www.weforum.org/about/history>. Acesso em janeiro de 2018.

World Economic Forum. What just happened? The biggest stories from Davos 2018. Disponível em: <https://www.weforum.org/agenda/2018/01/davos-2018-biggest-stories/>. Acesso em janeiro de 2018.

GONZÁLEZ, Alicia. Cúpula de Davos alerta sobre distribuição desigual da recuperação global. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/22/economia/1516611975_434126.html>. Acesso em janeiro de 2018.

 
 
 

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