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María Fernanda Espinosa ocupa a Presidência da Assembleia Geral da ONU

6 de jun. de 2018
2 min de leitura

Nesta quinta-feira (05), María Fernanda Espinosa, atual chanceler do Equador, foi eleita, com 128 votos a favor, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas de 2018, sendo assim a primeira mulher latino-americana a ocupar tal cargo, substituindo o eslovaco Miroslav Lajcak.


O fato que a presidência da 73° sessão das nações unidas se dê por uma mulher latina não é um acontecimento superficial. Espinosa é apenas a 4° mulher a ocupar a presidência em toda a história das Nações Unidas. Isso nos faz pensar não somente sobre a posição das mulheres na política internacional, mas também, em uma perspectiva em nível nacional, onde apenas duas mulheres ocupam o grupo de pré-candidatos à presidência da República.


Questionamentos como este trazem à tona o quanto é importante realizar esta análise e desconstruir continuamente as práticas discursivas, de manutenção de relações de poder, vigentes na sociedade patriarcal e, trazendo esta desconstrução, as teorias feministas em Relações Internacionais são de extrema relevância para repensarmos a sociedade com suas marcantes (re)produções de construção de gênero.


As abordagens feministas passaram a serem aprofundadas na disciplina em meados de 1980, em decorrência do desenvolvimento de novos temas e agendas internacionais que reconheciam questões de identidade, gênero e cultura como relevantes para a compreensão da sociedade internacional, assim como, os movimentos sociais de mulheres da 2a onda feminista, que teve como palco principal o território norte-americano.


Cynthia Enloe (2014), cientista política e teórica feminista, faz uma análise das mulheres na conjuntura internacional em seu livro Bananas, Beaches and Bases, onde traz-nos a importante e inquietante pergunta: “Onde estão as mulheres?”. Ela é importante para pensarmos a posição feminina dentro da política, seja em escala macro ou micro, e assim apontarmos onde há falta de representatividade ou voz feminina e qual o papel das mulheres dentro de determinados cenários.


O papel de Espinosa como presidente da Assembleia Geral é de extrema relevância, não somente na parte prática do cargo, mas também em quesitos de representatividade, mostrando às mulheres, mais especialmente, as latinas, que há sim um espaço no âmbito da política internacional, para ser ocupado e representado por mulheres. Além de estar inserida em um cenário de atuação tradicionalmente masculina, a presença de Espinosa é um passo a mais para diminuir a desigualdade, tanto de gênero quanto social.



REFERÊNCIAS


ENLOE, Cynthia. Bananas, Beaches and Bases. 2. ed. Los Angeles: University of California Press, 2014.

GIRALDI, Renata. Chanceler do Equador é eleita presidente da Assembleia Geral da ONU. Disponível em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2018-06/chanceler-do-equador-e-eleita-presidente-da-assembleia-geral-da-onu>. Acesso em: 5 de jun. de 2018.

SOUZA, Ana Clara Telles C. De. “O pessoal é internacional”: como as teorias feministas transformam o estudo das Relações Internacionais. Anais do III Simpósio Gênero e Políticas Públicas, 2014.


 
 
 

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